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quinta-feira, 15 de setembro de 2011

SEGUNDOS MINUTOS E HORAS


Tem segundos, minutos e horas
Que não há como não parar
E deixar o fluir do traço desalinhar
De se perder, no que não dá pra crer
E esquecer de tudo o que se tem pra fazer
Reconhecer o reflexo e a sombra do seu ser
Correndo o risco de tentar ver
Num lugar onde não há o que se ver
Irá cair no vazio, com o nada que há de surgir
E partir numa urgência de se permitir
De sentir um misero e discreto, sentir


É nesses segundos, minutos e horas
Que se percebe que não está vivendo
Que os dias passam e você vai morrendo
E o seu corpo envelhecendo
Com mais um dia que está amanhecendo
E no desespero do desaparecido
Na angustia do eterno esquecido
Percebe que só de morte tem vivido
Pois
O sonho acabou
Os amores não amou
A paz tanto buscou e não encontrou
A própria vida condenou
Porque diante do que sou, ela parou


Mas é nesses segundos, minutos e horas
Que a gente pensa em mudar
Acha que tem tempo de reiniciar
E a força adormecida pode retornar
E o que não se sabe, quem sabe recuperar
Ressuscitar o corpo morto
Que como um zumbi caminhava torto


E quando chega esses segundos, minutos e horas
A magia da alegria é instaurada
E com a vitória sobre o nada
A vida percorre uma estrada apaixonada
Onde as esperanças tornam-se flores
As pessoas transformam-se em amores
Os temores negros, ganham cores
E da nossa poesia tornamo-nos mais que autores
Senhores do belo e esplendoroso
Que reluz na alma do antigo medroso


Mas esses segundos, minutos e horas passam
E o diferente vira costume
A musica aos poucos perde seu volume
E como peixes enfiamo-nos atrás do cardume
Nos conformamos com o habitual
E tudo o que é igual deixa de ser especial
A beleza só se encontra na novidade
Em perseguir uma nova verdade
Que lhe traga novamente um grão de felicidade


E um dia os segundos, minutos e horas param
E o cego que não olhou para o lado
Agora dentro do seu caixote quadrado
Entende que a busca era o que era errado
Que condenado foi o seu passado
E o futuro nunca mais chegará
Na hora da morte a única luz que recebeu
Foi a ver que na verdade ele viveu
O problema, é que não percebeu.